Nunca vi tanta formiga
Nem nunca esperei de ver
Fico à espera que alguém diga
O que é que lhe hei de fazer.
Detesto tais animais
Com razão para detestar
Como elas são demais
Ando sempre a tropeçar.
Cada uma que se atravessa
É mais um tombo que dou
Mesmo que me levante depressa
Ela a rir-se de mim ficou.
Eu estou já velho e cansado
Para aturar tanta formiga
Vou arranjar um forcado
E vou espeta-las na barriga.
Matalas era o que eu queria
Mas não lhe vejo grande jeito
Se eu matar uma por dia
Já me dou por satisfeito.
É menos uma a chatear
A mim e a toda a gente
Se alguém gosta delas se calhar
Não vai ficar nada contente.
Terei mesmo que as aturar
Como sempre as aturei
Mas assim por esta andar
Mais desgostos passarei.
Muito mal lhe queria fazer
Mas não posso fazer nada
Por aquilo que estou a ver
Estou entregue à bicharada.
20/05/25 O autor Graciano Luis Teixeira.