Qualquer mosca é enfadonha
Como é bicho sem vergonha
Chateia-nos noite e dia,
Não gosto de tal bicharada
Elas não têm nojo de nada
Pousam em qualquer porcaria.
É um animal muito chato
Quando me pousam no prato
Apetece-me a matá-las,
A grande sorte que elas têm
É que eu já não vejo bem
E não tenho pistola nem balas.
Quando as apanho a jeito
Mando-lhe um murro no peito
Que lhe lembra toda a vida,
Há dias uma foi-se embora
Mas saiu pela porta fora
Com uma perna partida.
Estou mesmo desconfiado
Que aquela pelo bezado
Não me volta a chatear,
Mas vou-me tentar prevenir
E se algum dia a lá sentir
Irei tenta-la matar.
Mas confesso, tenho medo
Tenho que guardar segredo
Embora elas sejam demais,
Mas têm o direito de cá andar
E pode alguém me acusar
Há que defende os animais.
E se tal acontecer
Estou sujeito a sofrer
Uma boa condenação,
Fico às vezes a pensar
Que poderei apanhar
Alguns anos de prisão.
O autor Graciano Luis Teixeira.